São duas da manhã. Há algo que me acorda, não consigo perceber o quê.

A Flor dorme profundamente ao meu lado, o Bruno também.

No silêncio da noite, tento serenar o meu coração. Eles estão bem, dorme! -penso.

Mas não consigo voltar a dormir sem ir ver. Sem me levantar da cama e tentar acalmar toda a ansiedade que cresce dentro de mim.

«Será que estão bem? E se houver um incêndio? O Luís deixa sempre o telemóvel a carregar e às vezes esquece-se dele dentro da cama. A Ana sangra do nariz e por vezes vai para a casa de banho, tentar estancar o sangue e não me chama. Uma fuga de gás… O monóxido de carbono… Arrgggghhh chega! Parem! Deixem a minha cabeça de mãe, pensamentos negativos, cenários de dor e sofrimento!!!»

Enfrento os medos e vou. Primeiro o Luís, que dorme sozinho. Uns segundos em suspenso até que o ouço respirar. Renasço sempre que os ouço respirar, como se os tivesse a ver pela primeira vez.

Depois as manas. A Lia mexe-se. Está tudo bem. A Ana está quieta. De novo o pânico, uns intermináveis segundos de medo. Até que ela também se mexe ou a ouço a respirar e, só aí, volto para a cama e retomo o sono.

ANSIEDADE – UM SINTOMA DE AMOR

Tenho muitos momentos destes. Uma imaginação muito fértil. Consomem-me pensamentos negativos, demasiadas vezes. Sofro de ansiedade materna. Uma ansiedade que, na verdade, todas as mães que se preocupam, sentem. Umas em menor escala do que outras, felizmente.

Ser mãe, ter sido incumbida de cuidar e proteger uma criança (ou várias), é uma enorme responsabilidade. A maior das responsabilidades, eu diria. Quando convivemos com a profundidade de um amor como este, é natural que o medo bata à porta.

A ansiedade é, neste caso e quando não assume proporções desajustadas, um sintoma desse amor. Nasce nas mães quando nasce a criança ou quando a mesma se vincula ao seu filho.

COMO LIDAR COM OS MEDOS

As preocupações são uma das inevitabilidades da vida. Preocuparmo-nos com os nossos filhos, temermos pela sua segurança, é, portanto, inevitável.

E, sendo inevitável, é algo com que temos de aprender a lidar e controlar.

  1. Aceitar a inevitabilidade.

Vamos sempre ter medo de que algo de mal possa acontecer aos nossos filhos. Isso não significa que tal venha a acontecer. Não acontece com a maior parte das crianças.

  1. Evitar o efeito-negativo em alturas de maior fragilidade emocional.

Ou seja, por exemplo, evitar consumir notícias que possam contribuir para que os medos se intensifiquem, causar pesadelos ou entristecer-nos.

Ajuda também evitar amigos negativos, más energias.

  1. Agir contra as possibilidades.

Como mães, temos por obrigação prevenir acidentes. Manter os detergentes fechados e longe do alcance dos bebés, garantir que usam cinto de segurança, obrigá-los a usar capacete quando andam de bicicleta… São exemplos práticos de coisas que podemos controlar.

  1. E viver, independentemente das possibilidades.

Tudo o que não se pode evitar, simplesmente pode acontecer. Há braços que se partem e que depois dão histórias para contar. Há viagens de finalistas que se fazem, independentemente dos atentados do mês anterior, como prova de que o importante é seguir com a vida e não deixar que o medo vença.

  1. Ser positiva.

Energia negativa atrai coisas negativas e o contrário também.

Deixar as preocupações à porta, quando se entra em casa, após um cansativo dia de trabalho, ou fechá-las mentalmente numa gaveta, são excelentes exercícios de controlo.

Sorrir. Ouvir música alegre (sim, vale Maria Leal). Ler livros que nos ajudem.

  1. Confiar em Deus.

No meu caso, que sou católica, ajuda agradecer a Deus o facto de ter filhos saudáveis.

Muito do que não consigo controlar entrego-Lhe a Ele.

E isso ajuda-me muito.

  1. Procurar ajuda.

Se a ansiedade for maior do que todos os exercícios para a controlar, deve aceitar-se o facto de que talvez precisemos de ajuda.

Precisar de ajuda não é vergonha nenhuma. E pode salvar o nosso estado de espírito, a nossa saúde mental e, ao limite, a nossa vida.

Na verdade, há uma vida para viver, muitos segundos de vida para partilharmos com os nossos filhos. Cada um desses segundos é ultra-valioso. Por isso, em vez de projectarmos situações, devemos focar-nos no presente. Apreciar cada momento em pleno.

Esta, sim, deve ser uma máxima de vida. APRECIAR CADA MOMENTO EM PLENO.

Sejam corajosas, mamãs. Sejam corajosas. <3

Liliana Cachim

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