Ser mãe aos 40 anos…

Fui mãe aos 23, aos 28, aos 30 e aos 41 anos. Já fui mãe novinha e também mãe mais velha. Todas as minhas experiências de maternidade foram maravilhosas e assustadoras ao mesmo tempo. Mas esta última está a ser, sem dúvida, a mais intensa de todas. Emocionalmente falando… (E não, não estou deprimida. Apenas nostálgica. Já explico.)

Ontem viajei a trabalho. Fui a Évora, a uma obra de loja. Estava cansada, pois, já no dia anterior, tinha ido dar uma formação a Setúbal. Quilómetros acumulados, toda a gestão das crianças (mal) planeada, o Bruno com os horários dele e a precisar de mim, a sogra a dar uma ajuda preciosa… Quando cheguei a casa, já passava bastante das 22 horas e a bebé estava a dormir. Conclusão: a Flor passou um dia sem ver a mamã. E não foi apenas isso que me custou. O que me magoou particularmente foi, após um vaguear de pensamentos, a ideia de que eu não vou poder ajudar um dia os bebés da Flor, como a minha mãe ou sogra me ajudam a mim. Porque já serei demasiado velha.

Sim. Eu sei. Disparate de pensamento. Vive cada dia. Vive intensamente cada momento. Os 80 serão os novos 60, dirão algumas de vocês, as mais optimistas.

Mas é verdade. Ser mãe aos 40 faz-me projectar um futuro em que me vejo menos presente na vida dos meus filhos. E isso é péssimo. Porque qualquer mãe quer criar os seus filhos. Estar presente na entrega de diplomas, nos seus casamentos, ter netos e ajudá-los a crescer.

Não vou aqui fazer contas à vida, nem falar da expectativa média de vida da mulher portuguesa. Não quero, DE FORMA NENHUMA, desmotivar quem esteja a planear uma gravidez mais tardia. Ser mãe é maravilhoso em qualquer idade. E em todas as idades se vive a experiência em pleno.

Existem, na verdade, imensas vantagens em ser mãe numa idade mais tardia:
– somos mais experientes, logo encaramos a maternidade com maior maturidade (menos inseguranças e mais tranquilidade);
– uma mulher entre os 35 e os 45 tem, por norma, uma vida emocional estável;
– temos, nestas idades, maior estabilidade financeira e valorizamos mais os aspectos imateriais da vida;
– uma primeira gravidez, quando acontece nestas faixas etárias mais tardias, é sempre motivo de enorme satisfação e gratidão. O bebé é recebido com uma emoção redobrada;
– uma mãe mais madura tem mais experiência de vida e a lidar com as pressões do dia-a-dia. Terá, por isso, menos probabilidades de se deixar afectar emocionalmente pelo trabalho extra que é cuidar de um bebé;
– as mães nos seus 30 e 40’s aprenderam bastante com as experiências de mães-amigas (ao contrário das mães de 20 anos, que têm poucas ou nenhumas referências).

A verdade é que ser mãe aos 40, numa fase em que financeiramente estou mais estável (sou aquilo a que se chama hoje em dia “um-membro-da-classe-média-que-tem-a-sorte-de-ter-emprego-e-de conseguir-pagar-as-contas”), faz com que a minha mente se preocupe menos com questões materiais e se dedique a pensamentos mais imateriais. Penso dar um bom lar, emocionalmente estável, aos meninos. Em proporcionar-lhes bons momentos, geradores de boas memórias. Estou também focada em passar-lhes valores morais sólidos e correctos. E, por incrível que pareça, até penso numa casa numa aldeia com um grande quintal para cultivar legumes sem químicos, onde um dia escreverei um livro e cuidarei dos meus netos.

Mas…

Gostaria muito de ainda chegar a cuidar dos filhos da Flor, um dia. De fazer por ela o que a minha mãe faz por mim. Acredito que serei super jovem por muitos bons anos ainda! Ter um bebé faz com que toda a gente me julgue bem mais nova e que as minhas rugas até pareçam só de cansaço. 💁

Talvez consiga, talvez não (ui, este ardor no nariz e nos olhos… chorona… ). Talvez as irmãs e o irmão a ajudem por mim. Ou o pai, que é 10 anos mais novo do que eu.

O importante é viver muito agora. Este momento em que ela, de dedo na boca, dorme ao meu lado, tão linda com o seu cheirinho bom a bebé.

❤️

imageNotas ADICIONAIS e muito importantes:

– Se pensas engravidar depois dos 40, informa-te com o teu obstetra ou ginecologista acerca dos riscos e dos problemas que poderás ter durante a gravidez. Há cuidados a ter em todas as idades, mas os late 30’s e os 40 trazem potenciais complicações que importa conhecer.
– Nestas idades pode ser mais difícil engravidar, mas não é impossível. Consulta um especialista para te ajudar a gerir as expectativas, se preciso for. Descontrai e leva uma vida o mais saudável possível. Muita prática e tudo correrá bem e a seu devido tempo.
– Resiste às críticas. Ou ignora- as. Vai haver quem diga: grávida?! tão tarde!!! Ou: não te achas muito velha para ser mãe?! … Fraldas outra vez?! Com essa idade?! … Aproveita mas é a meia idade, já tens os filhos praticamente criados… (Eu dizia-vos o que digo ou o que penso quando ouço coisas destas -dependendo do grau de confiança com o interlocutor- mas isto é um blogue sério. 😁)

 

Liliana Cachim

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