EU, A VIDA CONTEMPORÂNEA E O DESEJO DE SER SEMPRE MELHOR

Tenho muita dificuldade em concentrar-me numa só tarefa, pensamento ou atividade… tanta que chego a pensar que o meu cérebro é hiperactivo. A minha cabeça, às vezes, parece uma panela de pressão, com tudo em ebulição lá dentro.
O Bruno desespera porque eu não sossego, nem quando estou a descansar. São demais as vezes em que encosto a cabeça no sofá ao lado dele e que, ao invés de só estar, eu digo algo como “tenho que ir fazer isto, depois aquilo”…
A tecnologia não ajuda. O telemóvel é uma distração constante. Detesto-me (mas detesto-me mesmo) sempre que desvio o olhar de um dos meus filhos para olhar para o telemóvel. O mesmo acontece no trabalho, com dois telemóveis sempre presentes, a debitar e-mails, é muito fácil saltar de assunto para assunto.

Foi neste estado de espírito, farta de ser assim desconcentrada (e porque acredito que nós, seres humanos, devemos conseguir equilibrar as atividades da mente e do corpo) que despertei para o Mindfulness ou «Atenção Plena» (conceito psicológico que se baseia no princípio da concentração da atenção).

Sou céptica em relação a tudo o que é relacionado com teorias de auto-conhecimento e auto-ajuda (uma história longa, que se quiserem um dia partilho) e assim que cheguei ao contacto com este tema pensei – mais uma balela da moda! No entanto, desperta pela necessidade e pela curiosidade, investiguei o tema em profundidade e acabei por perceber que se trata de uma matéria credível – por se basear em antigos ensinamentos budistas e por estar comprovada cientificamente (é prática comum em psiquiatria e psicologia clínica desde os anos 70).

Ou seja, tudo o que preciso para me orientar na vida e acalmar esta mente galopante! (sorriso)

O que é o Mindfulness? Ou Mindfulness para Mães Que Não Têm Tempo para Complicar:

É um caminho. Um caminho que pode ser percorrido de várias maneiras, dependendo da pessoa e do seu estilo de vida, tempo e predisposição. O objectivo é conseguir equilibrar mente e corpo, atingindo o bem-estar interior e calma mental. Relaxar corpo e mente, afastando a tensão acumulada no dia a dia e recusando o stress. Esse caminho é percorrido dentro de ti – implica foco, tomada de consciência, exercício da atenção e reconhecimento da intuição como sabedoria interior (aquele 6o sentido que se expressa pela tua voz interior, passará a fazer mais sentido 😊).

Basicamente (explico à minha maneira agora) o objetivo é chegares ao teu destino (que no meu caso é controlar a avalanche contínua de pensamentos cruzados) à tua maneira (meditando, desenhando, ouvindo música, olhando o mar…etc). Há vários caminhos para se chegar a um mesmo sítio e, neste caso, tu decides se queres ir de barco, de avião ou a pé.

O meu caminho:

Primeiro tentei meditar e… deu nisto!
imageObviamente espero chegar a ser capaz de meditar. Quando a Flor for mais crescida, vou procurar quem me ajude e assista durante o início e depois quero fazê-lo sozinha, diariamente. Em casa, na fase que estou a viver é muito difícil… (Ok experts… Eu disse difícil, não impossível…)

Como resolvi? Desisti de criar momentos formais para promover a concentração e agora obrigo-me, mentalmente, a focar a atenção! Sobreponho a obrigação de estar atenta a tudo o resto. Como? Dou ordens a mim mesma, mentalmente.
Em casa:
– Larga o telemóvel.
– Não, não vais mexer no telemóvel agora,
– Escuta a tua filha!!!! (Mesmo que estejas com vontade de ir fazer xi-xi ou tenhas a sopa ao lume).
No trabalho:
– Não, não vais levar o telemóvel para a reunião.
– Vais escutar o chefe até ao fim, antes de te expressares.
– Vais fechar o pc e olhar para a pessoa que tens em frente. ( Sim, mesmo que já tenhas percebido, há 5 minutos, o objectivo-do- discurso-que-nunca-mais-acaba.)

Brincadeiras à parte, a verdade é que me obrigo a prestar atenção ao momento. Tomando consciência de que vivo mais se experienciar cada segundo, ao invés de projetar o momento que se segue. Obrigo-me a controlar emoções. A estar mais consciente, de uma forma geral, em todos os momentos do meu dia.

“O maior impedimento para viver é a espera. Na expectativa do amanhã, perde-se o hoje.” Séneca

UM LIVRO QUE SE CHAMA “Educar com Mindfulness”:

Sou uma mãe bastante intuitiva. Quando a Lia nasceu eu tinha apenas 23 anos e NUNCA tinha estado em contacto com um bebé. No entanto, tudo aconteceu naturalmente. Instintivamente fui uma boa mãe. Sabia o que fazer…
Continuo, agora, a agir muito com a intuição e com a consciência de que o que lhes digo tem uma intenção clara (quero que sejam boas pessoas, educadas, moralmente corretas, mas também que tenham a capacidade de perceber que erraram e de corrigirem os seus percursos sem que isso abale a sua autoestima).
Tento não criar expectativas e não os obrigo a escolher o que eu escolheria para mim.
(Mil histórias para contar sobre pais que querem que os filhos sejam os CR7’s que eles nunca foram ou que lhes escolhem os cursos universitários… )
Os nossos filhos são seres livres, únicos, com pensamentos próprios e cabe-nós a nós acompanhar a sua jornada e crescer com eles. Afinal, eles são o futuro e, um dia, nós seremos o seu passado.

Encontrei um livro maravilhoso que recomendo. Nele estão escritas coisas com as quais concordo a 100%, outras com as quais concordo assim-assim. Filtrando de acordo com as nossas vivências, acho que este livro pode ajudar os pais a perceberem que SOBRETUDO não há fórmulas secretas para educar. Dentro da categoria dos pais que amam e cuidam, somos todos bons pais.

Chama-se “Educar com Mindfulness”, foi escrito por Mikaela Övén, é da Porto Editora e pode comprar-se em qualquer livraria ou hipermercado.

“Um pai ou uma mãe conscientes não são perfeitos. A parentalidade não é nenhuma competição onde é necessário atingir uma meta. A parentalidade é um processo fluído onde nos podemos guiar pelas nossas intenções”, lê-se, por exemplo, na página 40.

Nas suas páginas podes aprender algumas técnicas de meditação (traz um CD com meditações guiadas) e também formas de lidar com as crianças de forma mais consciente.

Eu encontrei também isto… Lindo.image

Liliana Cachim

1 Comment on Mindfulness para Mães em Crescimento

  1. Eduarda Silva
    Maio 9, 2016 at 12:29 am (2 anos ago)

    Que legal! Eu pratico há 2 anos! Fiz um curso e medito diariamente! A vida muda 180 graus! Persista, não desista, daqui a pouco torna se um hábito!

    Responder

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