Demorei algum tempo até estar preparada para escrever sobre as minhas 2 filhas adolescentes. Por várias razões:
– dentro de mim a confusão de sentimentos é enorme e não quero que fiquem a pensar que não amo as minhas filhas. Amo-as com todo o meu ser. Mas é difícil ser mãe de 2 meninas adolescentes. Bastante difícil.

– São muitos os temas possíveis, as abordagens, os assuntos. E nenhum consegue sequer descrever em 10% o que é ser mãe de meninas adolescentes. Para o bem e para o mal.

– Falar de adolescência sem abordar os temas negativos é impossível e eu não sou nada boa a falar de coisas menos boas. (Vêem?! Escrevi “menos boas” e não “más, negativas ou terríveis”. Porque quero sempre ver o lado bom de cada coisa, cada pessoa. E… Há dias em que, acreditem, não há nadinha de bom em ser mãe de adolescentes.)

Enfim. Razões.

Mas hoje decidi que é O dia! O dia de pegar este “touro pelos cornos”.

Pronto, já perceberam. Ser mãe de adolescentes nem sempre é bom. É mau muitas vezes. E terrível vezes demais.

Posto de lado todo este negativismo, quero afirmar aqui (alto e em bom som) que também é muito bom ter duas mini-me cheias de personalidade. Duas guerreiras.

A Lia, que tem 18 anos, já nasceu teimosa e deve achar que é a miss-razão-universo porque me responde sempre. Sem-pre! Mas… Sempre!

A Ana, tem 13 anos e disseca tudo o que digo, interpretando as minhas melhores intenções como se fossem as piores. Ambas adolescentes, embora em fases diferentes- uma na adolescência inicial (entre os 12 e os 14 anos) e a outra na adolescência final (dos 18 aos 21 anos).

Legenda: eu e as minhas filhas, num dos jogos de futebol do Luís (que também já tem 11 anos SOCORRO!!! orações de apoio por favor)

Umas fofas, portanto. 😁

A minha mãe diz-me, quando me queixo da atitude delas, que estou a “pagar por todas as respostas tortas que lhe dei”. Talvez esteja. Ou talvez aquilo que toda a gente sabe sobre a adolescência seja mesmo verdade. Os miúdos nesta fase passam efetivamente por muitas alterações fisiológicas (a puberdade) e por um rápido e intenso desenvolvimento cognitivo e emocional. E isso afeta a forma como se relacionam com os outros.

Na adolescência há uma necessidade natural de individualização. Estamos a falar do período áureo da construção do indivíduo, que deixa de ser criança e de viver maioritariamente (protegido) no seio da família, para passar a viver de forma mais abrangente em e “a”própria sociedade – mais professores, escolas maiores e mais colegas, pessoas com outro tipo de educação, cor, religião, etnia…  


Esta é também a fase da independência, de onde advém a necessidade de distanciamento dos próprios pais. Os adolescentes, na sua busca por autonomia, testam limites constantemente. Sobretudo em casa, onde
as regras são ditadas pelas pessoas com quem têm maior confiança.

É, de facto, uma fase confusa para os próprios pais. Os seus “bebés” cresceram e querem ser independentes. Se por um lado, ficam ofendidos quando são tratados como crianças, por outro reclamam quando lhes pedimos para levar o lixo ou para cortar a relva. Deixam de querer beijos em público. Já têm fortes opiniões próprias sobre política e ofendem-se quando lhes dizemos que essas opiniões são pouco fundamentadas. Ora são crianças, ora querem ser tratados como adultos.

Demasiada confusão, mesmo! Dentro dos corpos e mentes em ebulição dos adolescentes. E dentro das cabeças perplexas dos pais…

Perceber esta fase é fundamental para um bom entendimento entre pais e filhos. Entre mães e filhas.

Por estar a tentar sobreviver a tudo isto há já alguns anos, preparei um guião de conselhos, coisas que faço e outras que digo, em casa, às meninas crescidas. Não são “grande coisa” mas aqui vão, na esperança de ajudar alguém que esteja a viver a mesma cruzada:

1. Evitem levar as discussões a um ponto de não- retorno. Por ponto de não- retorno entendo aquele momento em que se fica encurralada entre o castigo ou o perder a discussão. Sejam mais inteligentes do que isso mamãs e, antes das conversas descambarem, rematem com: “essa é a tua opinião e, embora não concorde, vou respeitá-la como uma opinião entre muitas possíveis.” Ou “tudo o que estás a dizer magoa-me mas em nada afeta o meu amor por ti”. Evitem dizer: “Agora sai daqui por favor, que já estou a ver-te às cores.” 😁

2. Regras são regras. E em casa quem dita as regras são os adultos. Os pais. Não concordam filhotas? Ah! Temos pena! Aqui em casa, quando não concordam com uma regra, podem sempre escrever uma carta de protesto que será devidamente analisada e considerada. Mesmo.

3. Uma mãe tem como objetivo principal proteger as suas crianças. Ao mentirem à mãe (por exemplo, dizerem que estão na casa da Laura e afinal estão no cinema) estão a fazer com que, em caso de acidentes ou azares, a mãe não possa ajudar ou proteger. Explicar isto muito bem!

4. Ainda sobre mentiras, não sendo admissíveis, fazem com que o nível de confiança desça. Com isso, importa saber, há menos “sim, claro que podes ir dormir a casa da Maria” ou “sim, podes ir ao café com o JP”.

5. E para reforçar… Confiança conquista-se. Merece-se. (Digo isto muitas vezes.)

6. Uma mãe não é uma amiga. É uma mãe.  Podem confiar-lhe tudo como a qualquer boa amiga. Mas não esperem poder contar tudo, sem um bom conselho a seguir.

7.Agora uma polémica: Faz o que eu te digo e não o que eu faço. Eu explico: peço calma mas depois sou eu que me enervo por tudo e por nada. Só que há direitos que assistem às mães e que não se aplicam aos filhos. Embora eu deva dar o exemplo, nas coisas más não é comigo que quero que se comparem. Mas com alguém melhor do que eu. Alguém mais calmo, mais ponderado. Quero que as minhas filhas tenham o meu melhor e não o meu pior. (Não sei se me entendem…)

8. Sim, pode-se falar sobre sexo. Com naturalidade. Sem pressões. Quando a conversa surge, é apenas natural conversar sobre o tema. A palavras que mais se ouvem são – respeitem-se primeiro. Antes de tudo, respeitem a vossa vontade, a vossa dignidade, o amor-próprio e o outro. Respeito, amor, dignidade.

9. Sei que o que os outros pensam importa para vocês. Mas acreditem, ninguém se importa verdadeiramente com essa borbulha enorme no nariz. Todos os vossos colegas têm as suas próprias borbulhas com que se preocupar. (Mas usem este corretor da mãe, de qualquer maneira. 😁)

10. Nada do que possam dizer abalará o amor que a mãe sente. Nem que tentem. Não vale a pena. Por isso, quando no auge da puberdade, surgem os revirar de olhos e a vontade enorme de ripostar com maldade, saibam, queridas adolescentes, que apenas vão beliscar o coração das vossas mães, mas nunca retirar dele a sua essência – o amor.

Viver com adolescentes é tão estimulante quanto andar de montanha russa. Tem altos, baixos, às vezes gostamos da adrenalina, às vezes entramos em pânico… Há quem enjoe. Mas no fim, a viagem será certamente inesquecível.

Amo as minhas princesas. Adoro os nossos momentos juntas. Quero viver a adolescência delas em pleno. Estar sempre presente, resmungona, cheia de regras e esganiços de stress, mas também cheia deste amor todo que tenho para lhes dar.

Transbordo de dúvidas, de medos. Mas espero ser suficientemente mãe para elas.

Liliana Cachim

2 Comments on Sou mãe de adolescentes. Será que sobrevivo? 

  1. Teresa Cunha
    Maio 2, 2016 at 7:10 am (3 anos ago)

    Vou tomar um xanax!!!!
    Tenho dois a aproximar-se a passos largos dessa maravilhosa (!!) fase. Um de cada espécimen.

    Obrigadinha!!!

    (btw, ADOREI o post)

    Responder
  2. FABIANA DA SILVA ALVES BITTENCOURT
    Agosto 19, 2016 at 2:25 am (2 anos ago)

    Vc relatou todo meu pânico , a minha pequena grande menina está com 13 anos 1.70…. fico feliz pois é linda… Mas ao mesmo tempo entro pânico em pensar na hr de namorar. .. fico magoada com as mentiras, as caras de não sei que fazem….. meu Deus hr me vejo no espelho… #mãeempânico.
    Mas amei seu texto clareou minhas chateações ….

    Responder

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