MÃES COMO NÓS

Queria começar por esclarecer que a sequência de textos que se seguem sobre a amamentação, não tem como objectivo ajuizar o que quer que seja sobre a decisão pessoal das mamãs em amamentar ou não amamentar. Cada mamã sabe o que é melhor para si e para o seu bebé. Cada uma de nós vive a sua própria experiência, de forma única.

Há várias escolhas possíveis e todas válidas. Por vezes, nem há escolha- há mães que não têm leite, bebés que não conseguem mamar ( acontece muito com os prematuros) e mães que entram de tal forma em stress com a amamentação, que bloqueiam e desistem. Sem juízos, porque aqui não se ajuíza!image

Esclarecido este ponto, sigo então com 4 factos simples, mas que têm como objectivo informar as mamãs e os papás sobre os benefícios da amamentação:

1- Não há leite materno fraco – o leite materno é sempre completo e o ideal para o bebé. Contém proteínas, açúcar, gordura, vitaminas e água, ou seja, tudo o que o bebé necessita para ser saudável.

(Quando lhe disserem “ o teu leite deve ser fraquinho” tem permissão para revirar os olhos. Depois conte até dez e esqueça!)

2- O leite materno contém anticorpos e glóbulos brancos. É por isso que protege o bebé de certas doenças e infecções. Para além disso, por ser mais facilmente digerido, é mais leve e proporciona maior bem estar ao bebé. Como outros benefícios, saliento a formação da boca e o alinhamento dos dentes e ainda o desenvolvimento mental.

3- Amamentar promove o estabelecimento de um vínculo afetivo muito forte entre a mãe e a criança. Essa ligação vai ajudar a criança a desenvolver as suas emoções de forma positiva e ajudá-la a relacionar-se melhor com as outras pessoas.

4- Embora amamentar tenha muitos benefícios, pode também ser doloroso para a mamã. Ao início normalmente, por uma ou outra razão, é! Subidas de leite violentas, mamilos sensíveis ou gretados, aquelas contrações uterinas que mal se aguentam… Mas há uma coisa que as mães que querem amamentar, têm de ter sempre em mente: a saúde do bebé. Com isto em mente, tudo se torna mais fácil!
Podia continuar a estender-me sobre o tema (tão interessante e rico), mas prefiro dar a palavra a outras mães… A mães como nós, que viveram as suas experiências e vieram aqui, na primeira pessoa, partilhá-las connosco.

A Rute Leal é mãe do Pedro, tem 28 anos e é do Porto. Embora seja Enfermeira, é como mãe que nos conta a sua “aventura” com a amamentação, aventura essa que nem sempre foi fácil é muito menos cor-de-rosa! Obrigada Rute, por este relato intenso e real sobre o “lado B” da amamentação!

“Olá boa noite, como combinado venho partilhar a minha experiência real da amamentação..digo experiência real porque só mesmo passando por ela é que se percebe o que é de facto a amamentação..sou enfermeira e, como tal, tinha uma série de ideias pré concebidas, cheias de teorias e técnicas que à partida me faziam pensar que a amamentação seria uma processo fácil e natural..pois bem não é..

De facto, agora que o meu príncipe tem seis meses posso dizer que a amamentação é mesmo a melhor forma de se estabelecer relação de afecto e ligação com os nossos filhos inexplicáveis, mas se me dissesse isso durante os dois primeiros meses eu pensava baixinho que era mentira! Apesar do meu filho ter pegado corretamente na mama, existiram uma série de condicionantes que tornavam a experiência dolorosa, condicionantes essas que são transversais a todas as mães em que ocorre a subida do leite, tais como:
– os mamilos extremamente sensíveis,macerados e intrusivos;
– contracções uterinas simultâneas aquando a amamentação;
– ingurgitamento mamário durante as primeiras semanas… E para além disto durante os primeiros dois meses quando os nossos pequenos fazem picos de crescimento ora mamam de hora a a hora, ora estamos a atirar leite porque a mama habituou-se a produzir mais leite e depois é demais.
Conclusão: discos e mais discos de amamentação, sutiãs de amamentação, bombas de extração de leite, almofadas de amamentação, mamilos de silicone, conchas acumuladoras de leite, uma panóplia de instrumentos e técnicas que passam a ser os nossos principais companheiros nesta longa viagem..Sempre que pensava que tinha que dar de mamar era para mim logo fator de stress porque já tinha inconscientemente associado à dor e desconforto!
… Mas, como já devem ter percebido, nunca desisti porque quando vemos o olhar e sorrisos de gratidão na cara da nossa obra prima não há nada que a mulher\mãe não aguente. Eu pelo menos nunca senti aquela coisa de “és tu que estás a alimentar o teu filho, és tu que lhe contínuas a dar vida..é por tua causa que ele cresce” mas senti sempre uma ligação especial que não se consegue explicar ( que por ser tão inexplicável só se consegue sentir, é um mundo só nosso).
Agora a melhor parte do dia é amamentar!”
A Marlene, de Lisboa, tem 3 meninas e 3 experiências para partilhar!

“O facto de ter 3 filhas com alguma diferença de idade, fez com que ganhasse alguma experiência, à medida que se iam sucedendo.

1ª filha nascida há 20 anos atrás: não havia a orientação que agora há, quanto ao tema da amamentação. Quando nasceu, as enfermeiras puseram-ma ao peito, mas não houve a informação e persistência necessária, à mínima dificuldade, levavam-na a dizer que o que eu precisava era de descansar e que ela podia ir tomando suplemento. Conclusão, saiu do hospital com alimentação mista, e com a falta de informação que havia na altura, até mesmo para resolver os incómodos inerentes (gretas, encaroçamentos e afins), só amamentei até aos 3 meses aproximadamente

2ª filha, há 14 anos, já havia alguma informação e no hospital fui mais orientada e esclarecida quanto aos temas da amamentação, dei em exclusivo até ao momento em que comecei a trabalhar, porque não consegui compatibilizar a logística de escritório vs bombas, acondicionamento e preservação da boa qualidade do leite até chegar a casa.

3ª filha, há 7 anos, munida de mais experiência e após várias pesquisas de informação, decidi, ainda grávida que iria amamentar em exclusivo, o máximo tempo que conseguisse. O Hospital desta vez estava ainda mais sensível ao tema da amamentação, ao ponto de proibir a entrada de chupetas, para que os bebés se habituassem ao peito. Devidamente informada, e antes dela entrar na creche, fui criando stock de leite que depois mandava para a escola, que ficava perto do meu emprego. Cheguei a conseguir ir lá dar “o lanche”, uma vez que estávamos a 5 minutos uma da outra.

Teve um pediatra que não era pro-amamentação, e que na consulta do 3º mês, ao ver que a bebé não aumentava de peso, indicou que deveria passar para o leite de lata. Recorri ao SOS Amamentação e com a ajuda de uma voluntária, fui persistente, resiliente e continuei a amamentar. Na consulta seguinte a bebé tinha aumentado, e o pediatra julgou que se tratava do leite de lata… not!

É importante ouvirmos os médicos, mas também procurar informação complementar que nos ajude. Amamentei em exclusivo até aos 7 meses, e após introdução das papas e sopas, até aos 13 meses.
Aconselho vivamente porque além de ser mais cómodo, está sempre à mão e está provado que faz melhor à saúde dos nossos bebés e á nossa também!”

Obrigada meninas, pela preciosa colaboração! Um beijinho desta mãe para todas as “mães como nós”!
Ps- temos mais colaborações maravilhosas para partilhar aqui no blogue, sobre amamentação. Prometo partilhar todas, numa sequência de textos sobre o tema!

Liliana Cachim

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