Crescer dos 6 aos 10 anos – 3 princípios alimentares fundamentais

“Somos o que comemos”, frase sábia e intemporal, reflete o que a alimentação pode contribuir para a saúde das crianças, adolescentes e adultos. As crianças não têm capacidade inata para conseguir distinguir os alimentos com melhor valor nutricional sendo essencial que os pais, a família e os educadores em geral ensinem o “saber comer”. Os hábitos alimentares aprendidos durante a infância irão determinar os comportamentos alimentares na idade adulta. Conforme as crianças vão crescendo, vão tornando-se mais independentes nas suas escolhas alimentares. Por isso, neste período da vida, dos 6 aos 10 anos, devem ser consolidados hábitos alimentares que são a base de uma alimentação saudável.

1) Pequeno-almoçoimage

O pequeno-almoço (que poderia ser denominado por “primeiro grande almoço”, tal é a sua importância) fornece energia e nutrientes importantes para começar bem o dia depois de uma noite de jejum. O pequeno-almoço deve incluir nutrientes essenciais como proteínas, hidratos de carbono, lípidos, fibra alimentar, vitaminas e minerais. Para obter estes nutrientes deverá incluir lacticínios, cereais e derivados e fruta. Este hábito deve ser promovido como rotina diária e obrigatória, a toda a família. Por isso, para incentivar à ingestão do pequeno-almoço seja um modelo em casa e tome também o pequeno-almoço, ofereça dois tipos de alimentos do mesmo grupo para escolher (para evitar a monotonia e aumentar a variedade dos alimentos ao pequeno-almoço), envolva as crianças na preparação da refeição, tendo, por exemplo, acessíveis os alimentos para colocar na mesa. Ao “faltar” esta refeição, os níveis de atenção, memória e concentração estão comprometidos assim como o rendimento físico. Sabe-se também, que a omissão do pequeno-almoço influencia o controlo da ingestão total diária, o que pode promover o excesso de peso.

2) A ingestão de sopaimage

A sopa: num único prato temos uma mistura de vitaminas, minerais, fibras, hidratos de carbono e proteínas vegetais. Adicionalmente, estes nutrientes são aproveitados na totalidade, porque são consumidos na própria água de confeção. A composição das sopas pode ser muito variada utilizando os diversos hortícolas da época, que conferem cor e textura além de nutrientes importantes para o desenvolvimento saudável das crianças e adolescentes. Alguns dos “truques” para a ingestão de sopa passam por: i) “dar o exemplo”, isto é, se quer que a criança coma sopa deve começar por ser cúmplice e comê-la também; ii) ser criativo aquando a confeção da sopa (variar as cores e as texturas) e iii) oferecer a sopa à criança, em vez de a deixar petiscar, enquanto termina a confeção do jantar.

3) Lanchesimage

Os lanches ou merendas são essenciais para regular o apetite entre as refeições principais. A falta destas “pequenas” refeições pode afetar a ingestão alimentar, aumentando-a. Os jejuns prolongados podem ainda comprometer o rendimento escolar ao levar à fadiga, dificuldade na concentração e no raciocínio. Além disso, um número baixo de refeições (menos de quatro) tem vindo a ser associado com excesso de peso em crianças. As crianças podem ser envolvidas e responsabilizadas na preparação dos lanches: tenha uma lista com os alimentos aconselhados e desaconselhados, num local visível (por exemplo, na porta do frigorífico ou na despensa), para facilitar a escolha dos alimentos dos lanches e solicite a participação da criança na preparação do mesmo. Tendo em conta o ritmo de vida diário, planeie os lanches para a semana (leva a que não se necessite de utilizar alimentos embalados como último recurso, normalmente demasiado ricos em gordura e açúcar).

O envolvimento da criança na confeção de refeições é excelente mesmo que apenas a possa praticar ocasionalmente. A descoberta e o conhecimento de novos alimentos são fatores associados à evolução natural das crianças. As capacidades sensoriais e o registo destas experiências são intensas e importantes para a aquisição e construção dos sabores, aromas, cores e texturas dos alimentos (principalmente daqueles que menos gostam!), além de que reforça os laços parentais.

 

Nota: Devido à importância de cada um destes princípios alimentares, estes serão, posteriormente, desenvolvidos individualmente.

Maria Antónia Nunes

 

 

 

 

 

 

 

 

Liliana Cachim

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