Fico sempre surpreendida quando se referem a mim como uma Super-Mulher ou uma Super-Mãe.

Consigo entender que o facto de eu ter 4 filhos (nos dias que correm isso é imenso), trabalhar no Porto sendo de Aveiro, acompanhar as atividades dos miúdos e, agora ainda manter um blog, possa ‘impressionar’ as pessoas. Mas também sei que, por detrás de todas estas atividades, estou só eu… mais cansada do que nunca, com a casa cada vez mais desarrumada e com mais acessos de “gritismo” (vulgo berros) do que alguma vez julgava possível.

Super-mãe? Nem de perto nem de longe! Embora tenha super poderes (o meu ataque beijinhos é super poderoso) sou uma mãe cheia de falhas. Vivo constantemente numa luta contra a culpa. A prova disso é que me sinto pessimamente sempre que:

– Sei que outras mães vão buscar os meninos à escola todos os dias, conhecem as professoras e auxiliares pelo nome e estão pessoalmente envolvidas na organização das festinhas da escola;

– Falto a uma reunião intercalar ou de entrega de notas (com horários como “terça-feira às 11h15m” quem é que pode ir, afinal?);

– Os meus filhos têm a avó presente na festa do Dia da Mãe porque eu estou de viagem no exterior;

– Não dou banho ao bebé no dia-sim porque já é demasiado tarde;

– Levo um dos miúdos a uma festa de anos “de mãos a abanar” porque não tive tempo de ir comprar um presente para o seu amiguinho (neste momento estou a dever umas 5 prendas de aniversário…);

– Tenho um jantar de família num restaurante mais chique e os miúdos só têm calças de ganga e fatos de treino porque tudo o resto está para lavar;

– Alguém aparece de surpresa e tenho pilhas de roupa para passar num cesto, no meio da sala e a cozinha em estado de sítio;

– Um dos meus filhos me abraça inexplicavelmente, como se não me quisesse deixar fugir (cheio de saudades);

– A Ana quer que eu leia o seu livro (sim, baba, a Ana está a escrever um livro) e eu respondo: a mãe quer muito ler o teu livro com calma mas agora tem de mudar a fralda ao bebé…

– Etc, etc… (Ficava horas a escrever sobre culpa)…

No entanto tenho consciência que, com a vida que as mães que trabalham fora de casa têm, hoje em dia é difícil fazer melhor. E isso tranquiliza-me. Sei, que com o trabalho que tenho dentro e fora de casa, seria difícil ser melhor mãe do que já sou.

A prova disso são quatro crianças felizes, equilibradas, bem nutridas e limpinhas.

Por isso, ao invés de me focar nas falhas, tento concentrar-me em coisas boas. Pensamento positivo, foco nos aspetos bons da maternidade e muito amor, são o meu segredo para não deprimir. 

E aconselho-vos, mães que se preocupam, a fazer este exercício também. Não emagrece, mas alivia (sorriso). Até porque:

– Uma casa demasiado arrumada e onde vivem crianças é um oásis (ou és rica e tens empregada 24/7 ou és uma mãe austera que não permite brincadeiras fora de zonas identificadas). Com o tempo, a situação melhora. Ensina as crianças a arrumar os seus brinquedos desde cedo e envolve-os nas arrumações – ganharás aliados na altura das limpezas.

– É provável que os teus pais nunca tenham ido às tuas reuniões de pais. Era coisa rara, dantes. E confiavam em ti. Eu, por exemplo, vou a algumas reuniões (às mais importantes tento ir) e troco e-mails com as diretoras de turma… Os meus filhos vão crescer bem, só precisam saber que me preocupo e que confio neles para fazerem um bom trabalho na escola. Preocupa-te, acompanha e confia. Isso deve chegar para criares seres humanos maravilhosos.

– Não temos outra hipótese senão trabalhar. Pagamos as contas e proporcionamos-lhes uma vida estável.

– Coloca humor nas situações de falha. Afinal… Oh Ana… A mãe até quer ler o teu livro mas ao ritmo que a Flor suja a fralda só quando ela fizer 2 anos e ficar sentada quietinha no bacio… (A Ana ri-se das “aventuras da mamã stressada”, como chamamos cá em casa aos episódios de gritismo e companhia).

– Eles vão crescer. Um dia saem de casa e vais ter saudades do caos.

– E, claro, se o restaurante é mesmo, mesmo chique, passa na Zara e veste-os no carro, antes do jantar. Se não for assimmmm tãoooo chique, já sabes… Qualquer trapinho fica bem aos teus filhos. Não fossem eles os mais lindos do MUNDO!

Resumindo:

Pensa positivo. Enche os teus filhos de amor e beijos. Trabalha. Tenta descansar. E gosta de ti como és
.

O resto acontece naturalmente. QuoteOfTheWeek8

Liliana Cachim

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