Não vou aqui fingir que tenho a vida perfeita, que tenho um lar imaculado e que sou uma fada do lar. Sou uma mulher normal, que faz o melhor que consegue com o tempo que tem e com as ajudas que arranja. Não tenho empregada. A minha casa nem sempre está arrumada. Está limpa, isso sim, mas arrumada depende. Eu «passo a ferro» a maior parte da roupa na máquina de secar- tem lá um programinha que «passa» toalhas e lençóis. Peço muita ajuda aos meninos – cá em casa cada um ajuda como pode- uns limpam, outros tomam conta do bebé enquanto eu limpo. A minha mãe, sempre que vem cá a casa, farta-se de trabalhar e nunca se queixa (abençoada mãezinha) …
Mas existe na minha vida um mês que tem todo um histórico que pesa que se farta. Março. O mês em que nasci. O mês em que nasceu a Aninha. E o mês das limpezas de Primavera. A minha avó fazia-as, a minha mãe fazia-as e eu… bem, eu… faço-as.
Aos fins-de-semana de Março enlouqueço e ninguém me atura. Limpo as divisões da casa em profundidade. Limpo vidros e lavo janelas. Passo a mopa com lixívia nas paredes onde a humidade do Inverno se instalou em pontinhos bolorentos. Encero chão de madeira, se for necessário. Desvio os móveis da parede e chego até os cantinhos mais escondidos.
Mas hoje não estou aqui agora para vos dizer como limpo. Cada uma de nós tem o seu método. (Um destes dias escrevo, sim sobre gestão do tempo e limpeza da casa, pois acho que isso vos pode ser útil.)
Hoje quero, sim, falar-vos dum exercício que faço pelo menos 2 vezes por ano e que é um exercício de libertação – o «destralhar». Aprendi esta palavra com a querida Lígia Nóia do blog http://organizarcomligianoia.blogspot.pt/ . O acto de nos livrarmos da tralha é um dos segredos para uma casa mais limpa e, dizem, com melhor feng-shui.
Aqui uma lista das coisas que eu costumo deitar fora neste atarefado mês de Março:
1. Revistas antigas (se ainda não as leu, o mais provável é que não as chegue a ler; se já as leu, aposto que não as vai voltar a ler…);
2. Recibos, cartas e faturas antigas (que interesse tem agora em guardar aquela conta da luz de Abril de 2015 que já não serve para nada, ou aquela fatura que já não serve para a troca do bem?! O e-fatura guardou a informação e somou todas as suas contas…);
3. Medicamentos fora do prazo ou restos de antibióticos dos miúdos que ficaram guardados no armário-farmácia (livrai-vos do perigo senhoras…);
4. Roupas e sapatos (se já não cabe dentro desses jeans número 36 mas guarda-os na esperança de um dia os voltar a usar, pense… não é melhor comprar uns novos depois? Esse corte já nem se usa e há muitas instituições a necessitar de roupas. A roupa e os sapatos que já não servem aos miúdos também é fundamental que arrume para os irmãos ou dê a quem precisa.);
5. Brinquedos (envolva os meninos nesta decisão. Os brinquedos são deles, o «destralhar» ajuda-os a pensar na verdadeira utilidade das coisas e educa-os para a generosidade. Não os force a nada, faça-os pensar consigo e deixe-os decidir…);
6. Comida fora de prazo na despensa (temos sempre uma lata de leite condensado ou um pacote de massa fora de prazo… convém verificar e deitar fora o que está nestas condições, até por questões de saúde);
7. Tudo aquilo que guardou para usar depois, arranjar depois, ler depois, costurar depois… (a sério?! Acredita mesmo que vai ter tempo/vontade para fazer isso?!).
Em relação a outros possíveis excedentes ou dispensáveis (vá, tralhas) as questões a colocar antes de deitar algo fora são:
1. Guardo isto porque uso mesmo ou porque acho um desperdício deitar fora/dar?
2. Há quanto tempo já não uso esta peça ou objecto?
3. Preciso mesmo, mas mesmo disto?
4. Afinal, guardo isto com que finalidade mesmo?!
Se conseguir libertar-se de alguns desses «pesos-mortos» está já a melhorar o aspeto da sua casa. A libertar espaço. A desempoeirar. A melhorar as energias do seu lar.
Boas limpezas!

Liliana Cachim

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