Não vou negar. Chorei algumas vezes quando regressei ao trabalho, depois de 5 meses em licença de maternidade. As saudades. A ordenha difícil e solitária naquela salinha de arquivo, que me cederam para o efeito, longe do cheiro da Flor, esse cheirinho a bebé que me faz subir o leite…

São momentos difíceis, vividos por muitas mães. O deixar o bebé numa creche é sentido como abandono.

A certeza de estarmos a viver uma injustiça, pois nenhuma mãe deveria ser obrigada a deixar o seu bebé, tão pequenino. As subidas de leite que molham as blusas e os cantos dos olhos, a forma que a natureza nos lembra que somos primeiro mães, que não era ali que deveríamos estar. Como se fossemos piores mães por termos de trabalhar.

Voltar ao trabalho é muito complicado e pode ser emocionalmente devastador para as recém-mamãs.

Mas… Tem de ser. Temos de pôr comida na mesa. Pagar as contas. O bebé fica bem no berçário, com a avó ou com o papá… E com isto em mente deixamos passar as horas, os dias…

Até que, um belo dia, deixamos passar a manhã sem nos lembrarmos do bebé, de tão ocupadas que estivemos e sentimos-nos as piores mães do mundo. Outra vez. Desta vez, da classe de mães que não só abandona como também esquece…

Tudo o que acima descrevo é normal e faz parte do processo. A culpa, no meio disto tudo, FAZ parte do processo. Nós adaptamos-nos e o bebé também.

Em Portugal não temos outra hipótese senão ir trabalhar ao fim de 4, 5 meses em casa com o bebé. Pelo menos a maioria de nós não tem a possibilidade de ficar em casa… Por isso, temos de pensar que ao trabalharmos fora de casa estamos a contribuir para a melhoria da qualidade de vida do nosso bebé. A cuidar dele. E, acreditem… fazemos mais por ele do que apenas garantir o seu bem estar físico.

Deixo aqui 4 boas razões para se sentir melhor por ter de trabalhar fora de casa:

  1. Mães que trabalham fora de casa criam, por norma, crianças mais independentes, o que se espelha de forma positiva no seu futuro;
  2. Um filho de uma mamã que trabalha fora, vai tender no futuro a respeitar e apoiar mais as mulheres profissionalmente;
  3. Mães que trabalham fora estão a promover o crescimento de crianças com uma visão tranquila da igualdade dos sexos. Essas crianças, quando crescerem, vão entender a partilha de tarefas e também das responsabilidades em casal como algo natural;
  4. As meninas que sempre viram a sua mãe a trabalhar e a contribuir ativamente para a economia familiar, terão mais possibilidades de crescer para serem futuras líderes. Estas mulheres do futuro, que encaram o trabalho com naturalidade terão menos hipóteses de sofrer de discriminação de género, mais hipóteses de ganhar mais dinheiro e de obter lugares de liderança com maior facilidade.

E lembre-se… Não é o tempo que não passamos com os nossos filhos que importa. Importa o que passamos com eles… E esse tempo tem de ser de qualidade!

Importa que consiga encontrar dentro de si a paz de espírito, o equilíbrio que lhe permita dedicar-se ao trabalho quando está a trabalhar e ao seu filho (ou filhos) quando está em casa.

Seja feliz em tudo o que faz!

Liliana Cachim

1 Comment on Depois da Licença de Maternidade – O regresso ao trabalho

  1. Patrícia Cheio
    Abril 3, 2016 at 1:50 pm (1 ano ago)

    Estava a ler este texto e a retratar-me nele por completo. Fui trabalhar um mês e meio depois da minha filha ter nascido. Como o pai dela estava longe, foi a única forma que arranjámos para que estivesse perto, gozando assim ele a licença de maternidade. É difícil. É MUITO difícil por esses pormenores todos tão bem descritos por ti. E, sim, valham-nos os estudos, que dizem que criamos crianças mais independentes, conscientes dos diferentes papéis da mulher na sociedade, etc, para que nos sintamos menos culpadas. Porque a culpa está lá a massacrar-nos. E assim acontece com todas as working mothers da sociedade onde vivemos! Apostemos então no tempo de qualidade! Mas uma coisa é certa, por vezes, torna-se muito difícil desligar o interruptor da vida profissional quando estamos em casa. É um botão que vive no nosso inconsciente!
    Beijinhos

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